Eleições 2018

Quem conhece Rui e Zé Ronaldo vota em Zé Ronaldo, avalia presidente do DEM

[Quem conhece Rui e Zé Ronaldo vota em Zé Ronaldo, avalia presidente do DEM]
01 de Setembro de 2018 às 07:00 Por: Guilherme Reis0comentários

Presidente do Democratas na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia avalia que, apesar do atual favoritismo do governador e candidato à reeleição, Rui Costa (PT), José Ronaldo (DEM) ainda tem chances de se tornar conhecido e crescer ao longo da campanha eleitoral. Para o parlamentar,  quem conhece o ex-prefeito de Feira de Santana prefere votar nele. “As eleições estão começando. Nosso candidato formou uma boa chapa, é um homem de ficha limpa, tem experiência, foi prefeito de Feira de Santana quatro vezes. E quem conhece o governador e Zé Ronaldo vota em Zé Ronaldo”, avaliou. Sobre o cenário nacional, Aleluia declarou que o candidato do PT, Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) disputam o segundo turno das eleições presidenciais, e descartou a possibilidade de o DEM apoiar o PT nesse cenário. Confira a entrevista completa:

BNews – Como o DEM tem enfrentado o desafio após o fim do financiamento de campanha por empresas?
José Carlos Aleluia -
É uma experiência nova. Não há dúvida de que as campanhas no Brasil estavam custando muito caro. Conversando com gerentes de campanha da Alemanha, por exemplo, pude verificar que uma campanha para prefeito do Rio de Janeiro custava o equivalente à campanha nacional de um partido da Alemanha. O nível de gasto era muito acentuado. Os políticos têm de se acostumar ao novo cenário. Essa campanha tem essa vantagem. E o eleitor vai precisar fazer mais reflexão para escolher seu candidato. Cabe ao eleitor investigar mais seu candidato. É um desafio da política brasileira.

BNews – O senhor é a favor do financiamento privado?
José Carlos Aleluia - Sou a favor do financiamento privado. O financiamento público isolado é um erro. Poderia o Estado, eventualmente, financiar mais os menores e menos os maiores para dar surgimento a novos partidos, como é nos países desenvolvidos. Não podemos, depois do fim do imposto sindical, começar com sindicatos do governo. Agora estamos criando partidos mantidos pelo imposto. Isso está errado. As doações precisam ser transparentes. Acabaram porque cometeram-se erros no passado.

BNews - A redução do tempo de campanha foi positiva ou negativa na sua avaliação?
José Carlos Aleluia - Com a redução do tempo reduziu o custo. Tem pré-campanha. Estamos vivendo um novo cenário de comunicação, em que temos as redes sociais, além dos tradicionais. Ainda temos rádio, televisão, sites... Tivemos uma evolução em termos de comunicação e de participação.

BNews - No cenário baiano, pesquisas mostram que Rui Costa seria reeleito no primeiro turno. Isso desanima o DEM?
José Carlos Aleluia - As pessoas conhecem o governador. E há uma vontade de mudar, mas as pessoas não sabem para onde. No passado, perdemos eleições onde nosso candidato chegava a 68%. As eleições estão começando. Nosso candidato formou uma boa chapa, é um homem de ficha limpa, tem experiência, foi prefeito de Feira de Santana quatro vezes. E quem conhece o governador e Zé Ronaldo vota em Zé Ronaldo.

BNews – Quantos deputados estaduais e federais o partido pretende eleger?
José Carlos Aleluia - Acreditamos que para federal elegeremos cinco ou seis. Cinco com certeza. Na coligação faremos oito. Na estadual, também vamos crescer. 

BNews – Qual a sua avaliação do cenário nacional? Geraldo Alckmin ainda não decolou nas pesquisas. Acha que isso vai acontecer depois que começar a propaganda na TV?
José Carlos Aleluia - A expectativa popular de que Lula possa ser candidato é uma realidade. Lógico que já contamos como certo que Lula não será candidato. No momento em que definir que ele não será candidato, e isso ficar claro na TV, as coisas vão se rearrumar. No primeiro momento, beneficiando aqueles que as pessoas acham que teria a mesma linha de Lula. Depois, para os que vão ter o apoio de Lula. O cenário hoje é muito claro: há três candidatos disputando o segundo turno. Um deles é o Jair Bolsonaro, o outro é o que vier a ter o apoio de Lula, e o terceiro é Geraldo Alckmin. Se você faz a pesquisa colocando os três, Alckmin vem para o segundo lugar. Ele é o menos arriscado para o futuro do país. 

BNews – Vamos supor que haja um segundo turno com o PT e Bolsonaro. Quem o DEM apoiaria? Ou se manteria neutro?
José Carlos Aleluia - Não acredito nesse cenário. Meu candidato é Geraldo Alckmin, acredito que ele estará no segundo turno, mas não vejo possibilidade de apoiar o PT. Estou muito preocupado com a Venezuela. O PT não levou o Brasil para a Venezuela porque nós, eu, fiz muita oposição ao PT. Fiz muita oposição ao PT durante muito tempo. Quando começou o primeiro governo do PT, o Democratas [PFL] tinha 106 deputados. E o objetivo do PT foi nos destruir. Chegamos a aprovar uma PEC antecipando a idade para aposentadoria compulsória dos ministros do STF. O Brasil chegou a 14 milhões de desempregados. Quem gerou isso foi o PT. No entanto, dialogar é uma coisa. Se eles vencerem, vamos dialogar. Não vamos fazer oposição irracional. Mas corremos o risco da venezuelização do Brasil. O PT é o Foro de São Paulo. Lula é do Foro de São Paulo, Haddad também. Eles acham que está tudo bem na Venezuela. 

E é bom que se diga, o governador da Bahia é do PT. Nessas eleições, ele está escondendo a estrela. Até tirou a camisa vermelha. Porque ele sabe que o PT é um mal tão grande que não quer ser visto como petista.

BNews - Alguns especialistas apontam semelhanças entre Rui com os governos carlistas. O senhor concorda com essa comparação?
José Carlos Aleluia - Talvez ele [Rui] tenha herdado os nossos defeitos. As nossas qualidades ele não herdou. Na Bahia, eles não fizeram nada no semiárido. Secaram as barragens, destruíram os projetos de irrigação. Não há uma barragem construída no semiárido baiano. Esqueceram a questão do desenvolvimento. Estradas abandonadas. Eles herdaram de nós só os defeitos. A segurança, na Bahia morre o dobro das pessoas que morrem assassinadas que em São Paulo. 

BNews - O senhor disputa a reeleição. Caso consiga, como pretende atuar no próximo mandato, considerando que teremos um novo governo?
José Carlos Aleluia - Espero ter um governo voltado para tirar o Brasil do atoleiro em que o PT nos meteu. Por exemplo, não tem cabimento a Previdência pública comer o dinheiro público para aposentar gente com R$ 40 mil, seja deputado, seja o que for. Tem que buscar justiça social na Previdência. Não significa tirar direitos, mas parar com abusos. Quem quiser aposentadoria maior, vá comprar um fundo de pensão, pagar uma Previdência privada. Previdência tem que ser para dar conforto a todo mundo. É preciso criar um programa de infraestrutura que torne o Brasil competitivo. Precisamos de uma ferrovia transoceânica. Se tivéssemos, nossos produtos estariam de cara com a Ásia.

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